A construção da nova Rodoviária de Salvador, que foi iniciada por Rui Costa (PT) e deixada para Jerônimo Rodrigues (PT), tem gerado descontentamento da população e inclusive do próprio governador que já chegou a sugerir a possibilidade de desfazer o contrato.
Obras com indícios de irregularidades, possíveis causando danos aos cofres públicos, atraso e abandono de obras.
Em maio de 2019, a Agerba lançou o edital de licitação para a nova Rodoviária de Salvador, que, em setembro do mesmo ano, seria vencido por um consórcio formado pela AJJ Participações e pela Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico (Sinart) — mesma empresa que administra a atual rodoviária, em Pernambués.
O processo ocorreu a todo vapor já que uma única proposta foi enviada. Com a concessão firmada em R$ 749,1 milhões, o contrato entre o governo da Bahia e a concessionária foi firmado em dezembro de 2019. Seriam 36 meses (três anos) divididos entre elaboração (12 meses) e execução das obras (24 meses). A previsão era que as intervenções fossem concluídas em dezembro de 2022.
O TCE investigava, dentre outras questões, a lisura e transparência do processo. Umas das principais “pontas soltas” deixada pela gestão Rui Costa foi o fato do edital ferir a Lei de Licitações vigente à época (Lei nº 8.666/93) — que determinava a realização de audiências públicas com o objetivo de promover um amplo debate com a sociedade civil devido às altas cifras da licitação.
Elevação de custos e abandono de obras
O edital da nova rodoviária limitou os estudos de confecção do projeto em, no máximo, R$ 91,9 milhões. Eles deveriam ser entregues em até 12 meses (um ano) a contar da data de assinatura do contrato, ou seja, em dezembro de 2020 — o que não ocorreu. Devido a isso, as obras já começaram fora do prazo, sendo iniciadas em fevereiro de 2021.
Além disso, o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), parâmetro adotado pelo edital para calcular os custos da obra, previa um investimento de R$ 103 milhões para tirar o empreendimento do papel. No entanto, os valores amplamente divulgados pelos canais de comunicação do governo da Bahia citam que R$ 120 milhões foram investidos — ou seja, um aumento de 16,5%.
Apesar de três meses de atraso até o início das obras, e em meio às investigações do TCE, o avanço das ações em Águas Claras eram satisfatórios. No entanto, em fevereiro de 2022, um ano após o começo das intervenções, a AJJ abandonou as obras — deixando a Sinart sozinha com a responsabilidade de tocar o projeto.